| Paróquia da Maia
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Testemunho de um JovemAté Já, Maia, Terra de MariaMoro na Maia há já sete anos. Vim para cá sem sequer saber como havia de cá chegar. Não vim por iniciativa própria… as condicionantes, na altura, da minha vida, assim o determinaram. Nunca me hei-de esquecer daquela tarde soalheira do dia 20 de Março de 1996… Quando na noite anterior havia chovido. Foram anos de muitas mudanças, de muitas lutas. Lutas que resultaram em perdas e conquistas. Foram anos construídos da tristeza e da dor até às alegrias que fui criando. Foram anos de instabilidade que originaram alguma serenidade. Era relativamente novo e vi-me, momentaneamente, algo perdido, um pouco sozinho. Sobrecarregado nas responsabilidades. Estava numa casa com os meus dois irmãos (mais velhos). Mas, a vida continuava… Sei, porque me recordo, que a Maia não seria mais do que um local de passagem, uma etapa, para um outro local, uma outra cidade, onde, então, passaria o resto dos meus dias. Não gostava da Maia! Estaria, ainda, talvez, um pouco agarrado à minha aldeia, ao meu espaço, às pessoas com as quais eu tinha crescido e criado amizade. A somar a isto, eu estudava no Porto e, de todos os meus colegas, não havia um único que fosse da Maia… Foi duro. Foi difícil. Entretanto, e com mais ou menos desvios, a vida lá seguia o seu rumo. A vida, com as suas constantes mutações, com as suas permanentes surpresas, um dia, ou melhor, uma noite, presenteou-me com uma pessoa que viria a tornar-se numa das minhas maiores alegrias, num companheiro de viagem, num amigo: o Ângelo! Tornámo-nos inseparáveis, tornámos um encontro casual numa experiência livre e enriquecedora, onde a partilha e a sinceridade foram os pilares de fundação. Ainda hoje, encontro nele o ombro para chorar, as mãos para me segurar, as palavras para me confortar e alertar, o sorriso para me alegrar (eu sei que erro meu amigo…)! Foi com ele que a vivência nesta cidade se alterou! Aos poucos e poucos, viver aqui, começou a ter sentido, começou a importar. Foi através dos olhos dele que os meus viram a Maia com um outro brilho, pintada com outras cores, feita de sons então audíveis. Um dia, algum tempo após ele ter começado a participar nesta paróquia, e muitos anos depois de eu ter abandonado a prática de qualquer tipo de fé, falou-me acerca de eu ir com ele à missa. Era ao Domingo, às sete horas da tarde. Era um tempo em que as tardes de Domingo, ora eram passadas deitado no sofá em frente ao televisor, ora eram passadas junto com os meus pais. Admito que olhei para aquele convite com reticências… dominava-me a preguiça e o laxismo… Missa?!? Quando eu me havia afastado porque me haviam imposto a ideia de um Deus castigador e vingativo, a ideia de um Deus contrário e avesso ao Amor… Falou-me, o Ângelo, da alegria que aquelas cerimónias transmitiam, da excelência do pároco, das suas palavras sábias. Passou algum tempo mas, lá acabei por ceder e aceder à proposta. Onde é que isso me levou? Numa fase inicial, aquilo que sentia, era como que uma ida a um qualquer encontro social (desculpem-me aqueles que me lêem!), onde muito pouco dava mas, também, muito pouco trazia. Ia porque o Ângelo ia! E muitas vezes foi a preguiça quem prevaleceu, fazendo com que o sofá fosse um local mais aprazível, mais seguro, mais tranquilo… Até que… há sempre uma curva apertada em que, se não somos nós quem segura no volante, não existe mais ninguém que o faça… um dia, o Ângelo estava ausente e eu dei comigo, sozinho, a perguntar-me se aquela hora, ao fim da tarde de Domingo, tinha sentido por si mesma, ou se existia pelo facto de eu ir com alguém. Pensei, vacilei, estive quase a desistir mas, no limite, disse: vou! Não foi por acaso. Aí percebi. Nunca mais deixei de ir. Encontrei a tal alegria, encontrei a tal sabedoria das palavras proferidas pelo padre. E encontrei muito mais! A tranquilidade, a segurança, a confiança, a amizade. Acima de tudo encontrei o Amor! E descobri um ponto de viragem, a curva, e eu estive lá para a fazer e vencer. Depois disto, a vida readquiriu outro sentido e significado, tudo era passível de uma maior compreensão e um maior respeito. Surgiram sentimentos em mim até então guardados e escondidos de todos, até aí substituídos por outros que imediatamente abandonei! Vivi as Oficinas de Oração e Vida onde, através de Deus, redescobri o Amor, onde reaprendi o gozo e o entusiasmo da Sua palavra, onde, e como diz muito bem a minha adorada amiga Margarida, percebi que a Bíblia foi escrita para mim! Participei nas cerimónias celebrativas de Natal e de Reis, onde vivi e experimentei sentimentos de enorme alegria e felicidade, onde, e como Jesus, nasci de novo para algo de muito melhor, feito de paz e amor. Integrei a Escola Bíblica, onde me foi dada a oportunidade de elaborar um trabalho sobre o tema do Amor e do Perdão. Como eu cresci! Como eu aprendi! Levei quase ao desespero a coordenadora do grupo, por sucessivas demoras e atrasos mas, no final, enriquecemos tanto, não foi Helena? Devo-te duas coisas: um muito obrigado e dizer-te que tens um lugar cativo e muito especial no meu coração. Participei num dos compassos da paróquia, um dia que recordo como se de hoje se tratasse: os odores, as cores, os olhares, as casas, os sentimentos. Ressuscitei, também eu! Tentei fazer da minha vida um pouco daquilo que Jesus fez com a d’Ele, com o Seu pensar, com o Seu sentir, com Seu olhar, com o Seu falar. Foi extraordinário, foi esplendoroso, e este beijinho é só para ti L. Depois disto, nas comemorações da Coroação de N. Sra. Do Bom Despacho, fiz parte, vivendo, da procissão que percorreu a parte central da nossa cidade. Entendi, o justo agradecimento que devemos dar a Maria, por todo o Seu calvário, por toda a Sua capacidade de amor e compreensão, pelo Seu “Faça-se”. Tudo aquilo que devemos interiorizar como nosso, nas palavras e nos actos. E o que restou? Talvez a peça que acabou por fechar o puzzle. Talvez aquilo que acabou por dar um sentido pleno à minha vida. Talvez aquilo onde me fosse possível aplicar tudo o que tinha experimentado até então. Conheci um anjo! Num dia como outro qualquer. Quando tudo indicava o contrário. Apaixonei-me. Tive a certeza: Deus ama-me! Como eu estava feliz. Como eu voava. Como eu sorria. Como brilhavam os meus olhos. Descobri que eras um sonho para mim. Descobri que pensava em ti de manhã à noite até me deitar. Descobri que gostava de ti e gostava de estar contigo. Descobri que o meu riso era mais feliz contigo. Descobri que não me cansava de ti. Descobri que os teus olhos me guiavam na escuridão. Descobri que os teus pés me abriam o caminho e que eu nunca seguia só. Descobri-te… e tu descobriste-me a mim. E foi tão belo e aprazível. E não me consigo esquecer. Entretanto… entretanto, este ciclo encerra-se, pois, uma vez mais e por questões pessoais, vou afastar-me desta, hoje, minha cidade, por um tempo mínimo de um ano. Não vou para longe mas, ser-me-á muito difícil, senão impossível, participar nesta paróquia que tanto e de tão bom me ofereceu. A todos, a Deus, a amigos e não só, àqueles que sempre tiveram disponibilidade e paciência para irem lendo aquilo que eu ia escrevendo no S. Miguel da Maia, dou um abraço e agradeço, e despeço, com um simples até já. Não é que as coisas simples são as mais belas da vida. Rui Pires Mota Paróquia da Maia - Diocese do Porto - Portugal P. Domingos Jorge Comentários e sugestões |